De tasnto tempo em que não se sentia inebriada por aquele famoso sentimento, começou a almejá-lo…a pensar em quanto gostava de se apaixonar…de ter alguém sempre em mente. Comelou a lembrar-se das vezes em que tinha um objeto de afeto e…
Repentinamente lembrou-se do quanto odiava estar apaixonada. Do quanto odiava absolutamente tudo naquela situação…odiava sentir toda aquela ansiedade…o frio no estômago, a súbita vontade de vomitar de nervoso, aincapacidade de comer sem ter crises de gastrite…a instabilidade, as expectativas, as horas gastas esperando por um telefonema que nem sempre vinha…as tremedeiras…a falta de saber o que fazer quando a pessoa estava por perto, o suor excessivo nas mãos e no rosto, as risadas estranhas, as piadas péssimas, os comentários infelizes que fazia quando, de tão nervosa, não sabia como reagir.
Não…pensando bem ela não só não sentia falta desse sentimento como o abominava.
Começou a lembrar da tristeza de não ser correspondida. Das lágrimas, das palavras ásperas, do fim dos sorrisos, do fim da vontade de sair de casa…e até mesmo de viver. Da incapacidade de reagir por medo da rejeição…da incapacidade de acreditar que a pessoa adorada pudesse sentir reciprocidade (ou qualquer coisa) por ela, apesar de em seus sonhos tudo parecer perfeito. Do quanto odiava passar horas sonhando acordada com coisas que nunca aconteceriam, e como se detestava por procurar em cada palavra, ato ou gesto algo que confirmasse que seu sentimento podia ser ao menos parcialemnte correspondido.
Conclui, tristemente, que apesar de saber que existem pessoas que gostam dela, não acredita nem por um momento que alguém possa se interessar verdadeiramente por ela. Não vê nada em si mesma…absolutamente nada.
“pelo menos meus amigos me amam…eu não devo ser tão ruim como eu penso!”
“e não é…mas amor de amigo é uma coisa diferente.”
“mas se eles podem me amar…se eles vêem algo em mim, então alguém mais também pode ver…”
“várias pessoas já viram, lembra? e você foi plenamente incapaz de gostar delas…você sempre as considerou repulsivas a esse propósito…pra você, aqueles que se apaixonam por sua pessoa são exatamente como você…sem atrativos suficientes para atrair afeição. Ou pior…pessoas carentes, que não gostam de você por quem é, mas pelo que eles gostariam que você fosse…gostariam de você mesmo se você fosse qualquer outra pessoa…eles só não querem ficar sós…só isso.”
“as pessoas são idiotas por preferirem estar com qualquer pessoa a estarem sós…que falta de amor próprio…elas aceitam qualquer pessoa ao lado delas para não se verem sozinhas…elas fariam qualquer coisa pra ter companhia…elas tem medo de pensar que um dia podem estar só com elas mesmas…”
“verdade…mas e quem é você pra julgar? Você só foca só com você mesma por não suportar tem alguém exatamente como você ao seu lado…você só fica só com você mesma porque é mais fácil negligenciar e negar quem você é do que se ver refletida em outra pessoa…falando em amor próprio, onde está o seu? você nunca confiou em você mesma…porque nunca acreditou que fisicamente você fosse atraente o suficiente, mesmo sabendo que isso não é tudo o que conta. Nunca acreditou que as pessoas pudessem querer ter ao lado alguém com sua personalidade…por achar que não existem outras pessoas com personalidades similares a sua que sejam legais. Sempre viu um milhão de defeitos em si mesma para compreender o porque os outros não viam qualidades em você…sempre tentou justificar sua solidão se colocando defeitos.”
“eu nem ao menos acredito no amor…apesar de saber que ele existe…”
“você só não acredita em amor quando ele deve ser voltado a você mesma…você não se considera amável…só isso. É mais fácil negar totalmente a existência do amor a perceber que você acaba deixando apenas as pessoas que querem tirar proveito de você se aproximarem a realmente tentar fazer algo dar certo por ter medo de não conseguir e se machucar…mas machuca de qualquer jeito, não?”
Conclui que não sabe reagir nem lidar com sentimentos…de modo algum…prefere seguir sem pensar mais no assunto e continuar, ao menos temporáriamente, negligenciar a existência das coisas e viver uma vida superficial…a tentar acreditar em coisas que não vê…que nunca viu.


