É engraçado como, ao analisar a vida, acabamos reparando que nossos padrões são formados a partir de coisas que outros nos disseram, que criamos conceitos que não fazem sentido, mas se mantém verdadeiros em nossas cabeças. Que nossos princípios e valores são adquiridos sem, muitas vezes, serem questionados.
Não posso falar por outros, mas me usando como exemplo, vou relatar como creio que estas coisas sejam, ao menos em parte, verdadeiras (ou pelo menos para mim).
Quando eu era criança eu aprendi que ser gordo era feio e que ninguém gostava de você se você não fosse fisicamente perfeito. Todo mundo me disse isso a vida inteira…tiveram piadas a respeito, noites de choro, cobranças eternas, desesperança, infindáveis conversas a respeito do assunto com as mais variadas pessoas…reclamações. Eu lembro de uma vez em que me relataram que uma pessoa de quem eu muito gosto disse a outra:”você sabe que ninguém gosta de gente gorda.”. Naquele dia fiquei pensando o que aquela pessoa pensava de mim…ela devia me odiar.
Por um tempo em minha vida…um curto período, sei lá…um ano ou dois, eu me enquadrei no padrão menina bonita e perfeita…e o que aconteceu? Primeiro: eu fiquei mais fútil. Não pergunte porquê, mas era verdade. Segundo: as pessoas se aproximavam muito mais de mim, sim, mas na realidade nenhuma delas gostava mais ou menos de mim, mas todas, de certa forma, queriam tirar proveito. Estranho, não? Eu lembro de uma noite, quando eu tinha uns 12 anos, em que falava sobre isso e chorava com minha mãe, e ela me disse “quem tiver que gostar de você vai gostar do jeito que você é.” Eu sempre achei que fosse baboseira, mas agora analisando as pessoas que eu realmente gosto, vejo que não poderia ser mais verdadeiro.
Outra coisa que sempre me deixou indignada foi o fato de muitas vezes eu ter me deidcado plenamente a uma amizade, ter dado o máximo de mim, e no final das contas a pessoa simplesmente desaparecer no mundo e nunca mais dar notícias. Lembro de sempre ter estado lá quando a pessoa precisava, mas quando ela não precisava, simplesmente sumia. Isso me deixava triste e com raiva. Mas no final das contas você percebe que, por muitas vezes, em um determinado período da sua vida você se aproximou de alguém que te fez bem, mas quando aquele período acabou, você simplesmente se afastou sem perceber e seguiu em frente. Quando alguém faz isso, não quer dizer que não presta, que é um aproveitador ou coisas do tipo (não na maior parte da vida), só quer dizer que as pessoas, assim como as coisas, as vezes tem um ‘período de validade’ em nossas vidas, e que quando ele acaba, elas seguem em frente. Mas você sempre aprendeu que amizades devem ser eternas.
E quantas vezes você não chorou por amar alguém terrívelmente e a pessoa não dar o menor valor pra isso? Quantas noites você passou se lamentando por estar disposta a largar tudo, a mudar sua vida, sua maneira de pensar e de ser por alguém, por ter feito planos e tudo o mais e no final a pessoa acabar com outra? Bom, guess what, ninguém pediu pelo seu amor…não mesmo. Ninguém tem obrigação de atender as suas expectativas ou de corresponder seus sentimentos…e não é porque as pessoas não prestem, é só porque, muitas vezes, as coisas simplesmente não acontecem. E isso independe de quantos filmes com final feliz você viu por aí.
Tem também aquele segundo passo, onde você quer tanto uma coisa e quando ela acontece, simplesmente não é nada do que você esperava. Você quer tanto estar com aquela pessoa, você quase tem certeza de que vocês vão ser felizes naquele mundinho cor de rosa e…quando a realidade te atinge você se encontra triste…porque esqueceu que o mundinho cor de rosa foi uma coisa só sua, sem ligação aos fatos reais. Mas você sempre aprendeu que as coisas tem que dar certo, e se não derem, você falhou.
Agora uma coisa que acontece comigo com frequência absurda: quantas vezes você quis terrívelmente uma coisa e quando conseguiu simplesmente não soube o que fazer com ela e acabou deixando para trás? pois é…mitas vezes a gente quer só por querer…e depois que conquista, tudo perde o valor e o sentido. Talvez seja porque na verdade você quis uma coisa não pra você, mas pra mostrar para os outros que você era capaz.
Quantas vezes você disse que queria uma pessoa assim, assim e assado, e quando a conheceu, achou ela mala, efadonha e ficou rezando pra alguma coisa acontecer para que você pudesse ir embora? A gente esquece que o real e o imaginário nem sempre se encontram…e normalmente a pessoa assim, assim e assado só serve para atender demandas da sua sociedade, e não suas.
E quando a pessoa ‘perfeita’ aparece e você simplesmente não consegue gostar dela? Será que ela realmente é perfeita para você, apesar de ser perfeita aos olhos alheios?
Ou quando você descreve seus conceitos de vida e alguém conclui que vocês tem tudo a ver, mesmo não tendo nada. Talvez porque os conceitos tenham sido construidos baseados nos mesmo padrões, aqueles que nos dizem desde que aprendemos a falar.
Quando eu era criança eu aprendi que uma menina tem que ter um namorado. É inevitável que as pessoas te perguntem pelo namorado. Ninguém entende se você não estiver com alguém…como pode? As pessoas vivem em uma eterna busca por companhia, por alguém que as complete, que preencha seu vazio existencial, mas dificilmente elas percebem que a única forma de ser completo é estando bem com você mesmo. Ninguém vai preencher o seu vazio existencial a não ser você. As pessoas só aparecem na sua vida quando você está bem com você mesmo, elas vêm pra acrescentar, não pra completar.
Olhando por essa perspectiva eu concluo que: fui uma criança traumatizada, uma pré-adolescente insuportável e rejeitada, uma adolescente absurdamente chata em busca de aceitação, me tornei uma jovem que dá voltas e voltas no mesmo lugar e nunca chega a lugar nenhum…e tudo isso por viver tentando atender os padrões que me foram impostos. Vivi a vida inteira em busca de aceitação e amor. E sempre os tive em pessoas por quem não precisei provar nada, com as quais eu fui simplesmente eu.
Também tem outras coisas importantes que eu aprendi:
não importa o quanto você se rebele ou critique, você sempre vai acabar agindo igual aos seus pais, afinal, eles sempre foram o exemplo, não?
Minhas calças sempre ficam com o cós muito mais alto na parte da frente do que na de trás, e isso é por causa de uma coisa chamada bunda, que nasceu junto comigo, apesar desse fenômeno variar de tempos em tempos (ok, essa foi péssima, mas era só pra descontrair um pouco).
E que, para você concluir todas essas coisas você tem que estar em um lugar distante, como se fosse uma zona neutra, onde você poder analisar tudo por outras perspectivas, de onde pode ter um panorama mais completo.
E tudo isso só pra dizer que eu precisei me afastar mais de 9 mil km de casa só pra concluir o óbvio, daqueles que você encontra naqueles emails piegas que recebe diariamente e descarta com cara de “de novo isso não!”…mas é verdade.
Odeio escrever textos de auto-ajuda..rsrsrs
Agora outra coisa que eu aprendi é que falar é fácil, difícil é agir…e eu aidna não sei como me livrar ou mudar todos esses pré-conceitos concebidos por outros…vai saber!
22 anos, 3 meses e as coisas que aprendi até então.
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eu só posso dizer uma coisa depois de tudo que vc me faz enxergar: obrigada! ^^
SSSSSSO, gatinia.
eu pensava como você, depois eu também descobri que, quem gosta, gosta por gostar. eu já passei por tantos problemas, de odiar a mim mesmo simplesmente porque os outros não me aceitavam como eu era.
mas hoje eu sou lindo e maravilhoso então eu vou indo lá falar com meus fãs, beijos.
hhahahaha, mentira.
depois de 18 anos e 2 meses, eu percebo que as pessoas que realmente me amam, não me amaram por eu ser “legal”, “irado”, ou “na moda”, porque, enfim, eu não sou.
HAHA
obrigado por estar sempre comigo. te amo muito corsão.
Realmente gostei. =)
Mas não me ajuda mto… a última parte do seu post realmente é verdade, é muito difícil colocar em prática aquelas conceitos e preceitos que sabemos de cor e salteado.
Na parte que me toca (e vc deve saber qual é), ainda mais lendo o seu post, eu comparo tudo a uma espécie de Epifania. Nós acreditamos cegamente, construímos uma imagem mental que não necessariamente corresponde àquilo que é verdadeiro, das pessoas que nos cercam. Quando, por algum motivo essa imagem – que não dura pra sempre, obviamente – se desfaz, há dois caminhos: a aceitação ou a frustração.
Estou tentando lidar com isso, não sou o único. A vida têm dessas “brincadeiras”.